Valendo para valer – sobre carreira, aumento e reconhecimento

Escrever sobre carreira, aumento e reconhecimento pode sim parecer unilateral quando quem escreve é o “dono do negócio”. Meu caso – prazer. Mas antes de ter uma empresa, eu tive chefes. Antes de ter chefes, tive professores. E durante todo esse tempo, tive meus pais. Para todos eles, sem exceção, eu tinha (tenho, in fact) que apresentar um “trabalho brilhante”.

Quando você vai para o mercado de trabalho, você percebe que tudo que viveu foi um nano tubo de ensaio do que você viverá profissionalmente. Você lembra dos trabalhos em grupo, onde um ou dois assumiam a responsabilidade e carregavam uma parte da turma nas costas. Você lembra das broncas dos professores contra a insubordinação coletiva. Você lembra dos bilhetinhos de fofocas que circulavam entre os panelas. Você lembra da correria para estudar para uma prova na véspera porque não priorizou a coisa certa (priorizou o videogame, na verdade). E você lembra dos pais dizendo que se não fizesse tudo certo, jamais arrumaria um bom emprego.

Não vou entrar no mérito do bom ou mau emprego – mas a escola, nossos pais e nossos chefes até determinado momento associavam a palavra bom emprego à estabilidade. E aqui estamos nós com uma grande dicotomia.

Estabilidade. Mas o que é estabilidade? Se manter fixo, estável, perene? Ninguém mais, trabalhando no mercado de comunicação quer isso. A gente quer desafios, acordar todo dia sabendo que temos uma folha em branco e novos lápis diários para escrever uma história – e não folhas com linhas já definidas.

Existe um senso-comum do que é um bom trabalho. E aí não falamos de emprego ou de estabilidade. A gente quer um salário bastante instável, na real – sempre puxado para cima. A gente quer um trabalho decente, tratamento decente, job decente. Autonomia para tomar decisões que tenham grande impacto. E em tudo isso, a última coisa que eu vejo é a palavra estabilidade se encaixar.

Autonomia tem a ver com grandes mudanças – eliminação de gerentes, horizontalização, aumento de responsabilidades. Lembrei então de uma referência que recebi de um amigo.

PS.: Eu também odeio vídeo naipe consultoria, mas esse vídeo vale a pena assistir. Um tapa na cara.

Pontos para prestar atenção

As pessoas são valorizadas de acordo com a sua raridade e não pela sua importância.

Trabalhar mal porque ganha pouco. “O que eu ganho não é para fazer trabalho espetacular”.

Não é “eu quero”, é “quanto você vale?”

Se você ganha pouco você tem que fazer um trabalho espetacular. Jogador iniciante ganha um salário mínimo e não faz gol contra por isso.

Ninguém quer contratar a “mão-de-obra”. A gente quer contratar o talento, o sonho, o conhecimento. E não a mão.

Escassez absoluta de líderes.

Empreendedores como funcionários – intra-empreendedor.

A carreira é SUA. Não delegue sua carreira para o seu chefe e sua empresa.

Recomendado: correr riscos com pouco perigo.

Trabalhar é uma dádiva.

A escola está formando para que, afinal?

E para o post não ficar longo demais, se você ainda olha milimetricamente pro TIQUE REFEISSÃO e para os benefícios (como o Waldez ironiza no vídeo) é mais importante entender como você muda de “commodity” para “raridade”.

Abaixo uma visão objetiva para você avaliar onde você está. Não precisa dividir com ninguém, apenas pense: num modelo de meritocracia, em qual faixa você está com os seus pés fincados?

 

6 Comentários

  1. Ana Cláudia

    O texto é simples e impactante para quem esta entrando no mercado de trabalho, pois demonstra que as dificuldades sempre ocorrerá, mas depende do ponto de vista de cada um compreender como um desafio ou fracasso.



  2. O Melhor post sobre mercado de trabalho que eu já li nos últimos tempos. That’s what I’ve been talking about.



  3. Esse é o clássico “como os outros me veem,como eu me vejo e como eu sou”. É complicado quando ficamos reféns da estagnação de onde trabalhamos, estou passando por isso atualmente onde eu estou estagiando ( que por sinal, não tem relação direta com o que eu estudo e tento todos os dias provar que focinho de porco não é tomada)onde procuro pensar em soluções que por aqui ninguém havia pensado antes mas isso acaba por se tornar ineficaz devido a perigosa e pretensiosa zona de conforto em que vivem. Não digo isso apenas para buscar soluções práticas e sim agregar os valores intangíveis que isso vem a alcançar. Seu eu tenho uma empresa eu jamais seria negligente diante de uma situação dessas. Acho que é a maior dádiva de um Boss é a de saber reconhecer um bom potencial e saber criá-lo e desenvolve-o. É uma relação mútua. Colhe o que planta



  4. Bruno

    Quem puder assista ao filme “Fábrica de sonhos”, é uma comédia bacana com lições de empreendorismo, carreira, contra o pré-julgamento que fazemos das ideias e pessoas. Tem no netflix.

    http://www.interfilmes.com/filme_17148_kinky.boots.fabrica.de.sonhos.html



  5. Pedro

    Porra, Lud, esse Ludwig aí é MUITO FODIDO…!



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