O que você faz com a sua internet?

Pense no simples fato de que você é, pelo menos de um ponto de vista, especial. Não porque você foi criado por uma super mente brilhante e mágica, mas porque você é o resultado de uma vasta cadeia de acontecimentos que fazem de você um evento único – basta levar em conta quanta vida precisou acontecer antes de você chegar a este ponto específico de nossa evolução como espécie, marcada pelo êxtase com a tecnologia.

Nossa euforia se dá pelo fato de que as possibilidades parecem infinitas. Fala-se de desenvolvimento em uma quantidade absurda de plataformas, podemos nos comunicar e melhorar nossas vidas de forma brilhante. Alguns acreditam que a tecnologia pode ser a salvação para o esgotamento dos recursos naturais, como é o caso de Ray Kurzweil (leia aqui a entrevista dele à ThinkQuartely).

Outros, motivados pelos eventos recentes no oriente médio, estão entusiasmados com o poder de articulação da internet nas ações políticas, sem perceber que a grande revelação a respeito da tecnologia foi que quem domina a infraestrutura, domina a tecnologia – e o Google está correndo atrás de ser dono, fisicamente falando, de boa parte dessa rede, como aponta Tiago Dória em seu blog.

A convivência com a tecnologia tem mostrado um grande avanço no desenvolvimento cognitivo de nossas crianças: faz bem usar um tablet, jogar videogame, navegar pela internet. Tudo isso ajuda a aprender e nos deixa mais inteligentes, preferencialmente se usados com controle e com objetivos. As possibilidades tecnológicas são tantas que, em breve, teremos supermáquinas varrendo nossos corpos atrás de doenças e fazendo uma faxina. Duvida disso? Saca só.

Vale lembrar que, assim como nossa espécie, a tecnologia evolui e se modifica, sempre tentando se renovar e continuar útil. Mas útil para quê?

Estamos honrando nossos nobres antepassados?

Se você tentasse explicar para um cara na década de 1910 como estas palavras que estou escrevendo aqui, da minha cozinha, chegaram à sua tela, você se depararia com o tamanho abismal da curva de conhecimento de que estamos falando. Tivemos os últimos 50 anos mais fascinantes do nosso desenvolvimento tecnológico, mas ainda usamos a tecnologia de forma superficial, muitas vezes como um mero suporte para o bom e velho entretenimento vazio de cada dia.

Devemos honrar e respeitar o conhecimento de todos os homens, animais, células e faíscas que vieram antes de nós e possibilitaram o uso desse conhecimento para as facilidades que temos agora. Desde a água que desce em redemoinhos pelo seu vaso sanitário ao menor nanoprocessador, tudo o que está ao seu redor foi muito complicado e difícil de acontecer.

Alguns dos nossos companheiros de espécie dedicaram suas vidas aos estudos e às tentativas de progresso. São pessoas que passaram décadas observando os astros e as minúsculas células de nossos corpos, entendendo a vida para que você pudesse ter essa extensa memória artificial de raça que tem disponível em sua frente.

Aqui falamos de internet o tempo todo. Qual é a sua internet – afinal, cada um faz a sua, não é? Como você faz a sua internet? O quanto você se modifica e melhora quando tem contato com ela? Você melhora a sua vida e a vida das pessoas ao seu redor, fazendo uso do conhecimento que é essa magnífica biblioteca?

Usar o conhecimento árduo, difícil, construído em banho-maria pelo processo evolutivo da forma banal como usamos, não é apenas desrespeitar nossa inteligência e capacidade de criação, mas é fazer pouco caso do evento magnífico que nossa espécie é, ou poderia ser. Considere um pouco a dívida que você tem com todos aqueles que vieram antes de você, e use todo esse conhecimento para melhorar a vida daqueles que virão depois, pois é uma troca justa.

Nunca tivemos a chance de articulação que as novas tecnologias proporcionam, isso é um fato. Nunca foi possível falar para todo mundo ouvir, sempre existiam barreiras. Hoje a barreira é apenas a força de vontade – a SUA força de vontade.

A internet pode ajudar. Talvez ela não tenha a capacidade de mudar uma geração apodrecida pelo tumor da TV ainda pendurado no pescoço, mas está mudando drasticamente o comportamento dos que vêm por aí. Os mais jovens já preferem o texto à voz em seus telefones, pois dá mais tempo para pensar, abrindo mão da saia justa que a voz pode se transformar às vezes. As coisas estão mudando, e estamos mudando profundamente a forma como interagimos uns com os outros. A mudança existe e é impossível de ignorar.

A internet é a mudança, e a mudança é você quem faz. Mas afinal de contas… o que você faz?

4 Comentários

  1. Há pouco tempo li em algum lugar que o poder computacional de um iPhone é superior a toda a tecnologia da NASA nos anos 60. A diferença é que, mesmo com aquela tecnologia precária, eles mandaram o homem à lua. Hoje, com todo esse poder em nossas mãos, a gente atira pássaros em porcos. Discussão deveras pertinente, Wendelino! =)



  2. Bruno

    “Considere um pouco a dívida que você tem com todos aqueles que vieram antes de você, e use todo esse conhecimento para melhorar a vida daqueles que virão depois, pois é uma troca justa.”

    Muito reflexivo Wendell. Temos um mundo de informação disponível a todos mas pouco desfrutamos dele para avançarmos socialmente. Parece que estamos mais interessados mesmo no entretenimento que a tecnologia proporciona, do que em agregar valores individual e coletivamente.



  3. Renato Galvão

    Concordo com tudo, principalmente com a frase “Considere um pouco a dívida que você tem com todos aqueles que vieram antes de você, e use todo esse conhecimento para melhorar a vida daqueles que virão depois, pois é uma troca justa.”.

    Se 5% da população mundial pensasse assim, já teria sido um avanço sem precedentes.

    Belo texto Vendel.



  4. Muito bom o post Wendell, parabéns!
    Flávio Raimundo



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