Método de desenvolvimento GHP: esqueça tudo o que você aprendeu!

E aí, galera! Eu sou o Zé Fernando e trabalho como desenvolvedor e montador do Grou, o Departamento de Atualização e Evolução de Projetos da Mkt Virtual. Esta é a minha estreia aqui no Mochila, e para isso escolhi um assunto bem interessante.

Todo gerente ou desenvolvedor já ouviu falar nas famosas metodologias ágeis de desenvolvimento, como Scrum e XP, muito praticadas e difundidas em várias empresas de software – não que isso se limite apenas ao desenvolvimento, mas é que assim focamos na nossa área. :)

É por isso que hoje eu venho compartilhar algo que não se ensina na faculdade, na graduação ou no mestrado, muito menos no curso técnico. É uma coisa que já nasce no instinto do programador, em suas primeiras linhas de código. Estou falando da Metodologia de Desenvolvimento GHP (Go Horse Process), também chamada, em sua versão extrema, de eXtreme Go Horse Process (XGH).

Se você não sabe o que é uma metodologia de desenvolvimento, não se preocupe: as dicas abaixo deixarão você totalmente preparado para agilizar e “disciplinar” sua empresa. Vamos esquecer que já ouvimos falar em PMBOK ou PMI e vamos falar sobre gerenciar de forma clara e objetiva, simples e direta, sem blábláblá. Vamos falar de GHP! :D

Com vocês, os 22 mandamentos do XGH!

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1- Pensou, não é XGH.

XGH não pensa, faz a primeira coisa que vem à mente. Não existe segunda opção, a única opção é a mais rápida.

2- Existem 3 formas de se resolver um problema: a correta, a errada e a XGH – que é igual à errada, só que mais rápida.

XGH é mais rápido que qualquer metodologia de desenvolvimento de software que você conhece (vide mandamento 14).

3- Quanto mais XGH você faz, mais precisará fazer.

Para cada problema resolvido usando XGH, mais uns 7 são criados. Mas todos eles serão resolvidos da forma XGH. XGH tende ao infinito.

4- XGH é totalmente reativo.

Os erros só existem quando aparecem.

5- XGH vale tudo, só não vale dar o toba.

Resolveu o problema? Compilou? Commit e era isso!

6- Commit sempre antes de update.

Se der merda, a sua parte estará sempre correta… e seus colegas que se fodam.

7- XGH não tem prazo.

Os prazos passados pelo seu cliente são meros detalhes. Você SEMPRE conseguirá implementar TUDO no tempo necessário (nem que isso implique em acessar o BD por um script maluco).

8- Esteja preparado para pular fora quando o barco começar a afundar… ou coloque a culpa em alguém ou algo.

Pra quem usa XGH, um dia o barco afunda. Quanto mais o tempo passa, mais o sistema vira um monstro. O dia que a casa cair, é melhor seu curriculum estar cadastrado na APInfo, ou ter algo pra colocar a culpa.

9- Seja autêntico: o XGH não respeita padrões.

Escreva o código como você bem entender: se resolver o problema, commit e era isso.

10- Não existe refactoring, apenas rework.

Se der merda, refaça um XGH rápido que solucione o problema. O dia que o rework implicar em reescrever a aplicação toda, pule fora: o barco irá afundar! (vide mandamento 8).

11- XGH é totalmente anárquico.

A figura de um gerente de projeto é totalmente descartável. Não tem dono, cada um faz o que quiser na hora que os problemas e requisitos vão surgindo (vide mandamento 4).

12- Se iluda sempre com promessas de melhorias.

Colocar “To do” no código como uma promessa de melhoria ajuda o desenvolvedor XGH a não sentir remorso ou culpa pela cagada que fez. É claro que o refactoring nunca será feito (vide mandamento 10).

13- XGH é absoluto, não se prende a coisas relativas.

Prazo e custo são absolutos, qualidade é totalmente relativa. Jamais pense na qualidade e sim no menor tempo que a solução será implementada, aliás… não pense, faça!

14- XGH é atemporal.

Scrum, XP… tudo isso é modinha. O XGH não se prende às modinhas do momento, isso é coisa de veado. XGH sempre foi e sempre será usado por aqueles que desprezam a qualidade.

15- XGH nem sempre é POG.

Muitas POG’s exigem um raciocínio muito elevado, XGH não raciocina (vide mandamento 1).

16- Não tente remar contra a maré.

Caso seus colegas de trabalho usem XGH para programar e você seja um coxinha que gosta de fazer as coisas certinhas, esqueça! Para cada Design Pattern que você usa corretamente, seus colegas gerarão 10 vezes mais código podre usando XGH.

17- O XGH não é perigoso até surgir um pouco de ordem.

Este mandamento é muito complexo, mas sugere que o projeto utilizando XGH está em meio ao caos. Não tente botar ordem no XGH (vide mandamento 16), é inútil e você pode jogar um tempo precioso no lixo. Isto fará com que o projeto afunde mais rápido ainda (vide mandamento 8). Não tente gerenciar o XGH, ele é autossuficiente (vide mandamento 11), assim como o caos.

18- O XGH é seu brother, mas é vingativo.

Enquanto você quiser, o XGH sempre estará do seu lado. Mas cuidado, não o abandone. Se começar um sistema utilizando XGH e abandoná-lo para utilizar uma metodologia da moda, você estará fodido. O XGH não permite refactoring (vide mandamento 10), e seu novo sistema cheio de frescurites entrará em colapso. E, nessa hora, somente o XGH poderá salvá-lo.

19- Se tiver funcionando, não rela a mão.

Nunca altere, e muito menos questione, um código funcionando. Isso é perda de tempo, mesmo porque refactoring não existe (vide mandamento 10). Tempo é a engrenagem que move o XGH e qualidade é um detalhe desprezível.

20- Teste é para os fracos.

Se você meteu a mão num sistema XGH, é melhor saber o que está fazendo. E, se você sabe o que está fazendo, vai testar pra quê? Testes são desperdício de tempo, se o código compilar, é o suficiente.

21- Acostume-se ao sentimento de fracasso iminente.

O fracasso e o sucesso andam sempre de mãos dadas, e no XGH não é diferente. As pessoas costumam achar que as chances do projeto fracassar utilizando XGH são sempre maiores do que ele ser bem-sucedido. Mas sucesso e fracasso são uma questão de ponto de vista. O projeto foi por água abaixo, mas você aprendeu algo? Então pra você foi um sucesso!

22- O problema só é seu quando seu nome está no doc da classe.

Nunca ponha a mão numa classe cujo autor não é você. Caso um membro da equipe morra ou fique doente por muito tempo, o barco irá afundar! Nesse caso, utilize o mandamento 8.

Se você leu todos os mandamentos, com certeza irá se perguntar: “Mas por que usar GHP? Qual a vantagem?”. Bem, não pense que só você tem esses questionamentos. Isso é normal quando estamos começando em uma tecnologia nova, e é por isso que também irei mostrar algumas dúvidas de profissionais:

P: Existe a possibilidade de desenvolver uma carreira promissora como um Gerente de Projetos Go Horse?
R: Sim! A maioria das organizações usa o Go Horse. Mas cuidado: para ser bem-sucedido na carreira, não tente adotar o Go Horse em uma organização que aplica o blábláblá do PMI. Veja este exemplo real: Um certo gerente de uma certa empresa encontrou alguns problemas durante um projeto. Para resolvê-los, aplicou todas as técnicas do Go Horse: pediu mais verba ao chefe quando o dinheiro acabou (em torno de 50%), mais prazo (11 meses), enrolou os superiores quanto ao escopo e entregou o projeto. O que aconteceria com esse gerente em uma empresa dominada pelos malas do PMI? Seria demitido. No entanto, como o Go Horse era a prática adotada pela organização, esse gerente virou diretor!

P: Qual a metodologia mais eficiente? Go Horse ou PMBOK?
R: Ora, essa é fácil: Go Horse, claro! Mais da metade dos projetos gerenciados com as técnicas propostas pelos burocratas do PMI falham – isto porque o PMBOK diz que um projeto só é bem-sucedido quando entregue dentro do prazo, cumprindo o escopo e respeitando as restrições orçamentárias. O Go Horse, por outro lado, é contrário a esse monte de regras. Como a ideia é ir fazendo o projeto e pedir dinheiro à medida em que for preciso, fazendo o escopo que der na telha ao longo do projeto, nunca vai haver falha – afinal, não se perde tempo com planejamento. Ou seja, para o Go Horse, projeto de sucesso é projeto entregue! Não é fantástico?

P: Existe prova de certificação Go Horse?
R: Hein?

P: O PMI tem o seu código de ética. E o Go Horse?
R: O Go Horse também. Leia As 48 leis do Poder, de Robert Greene e Jost Elffers.

P: Como faço para descobrir se minha empresa usa Go Horse?
R: Se você não sabe qual a metodologia utilizada pela sua empresa, então com certeza ela usa Go Horse.

Bom, galera, essa foi apenas uma introdução a essa “Metodologia de Desenvolvimento”. Para conferir a documentação completa, acesse este site. Obrigado pela atenção e… usem e abusem, hahaha! :D

[via Bevinet e GoHorseProcess]

5 Comentários

  1. Pequeno Viking

    Eu tenho minha versão de Go Horse com alguns improvements:

    1 – Na dúvida, marque que a tarefa está feita no issue tracker. Existem enormes chances de ninguém notar, e se notarem, vão abrir de novo algum dia – e você pode marcar como feito de novo se tiver alguma dúvida.

    2 – Não hesite. Assuma sempre que está pronto e que você pode ir embora pra casa.

    3 – O certo é sempre o jeito que você entendeu.

    4 – Existem mil coisas envolvidas no projeto que podem levar a culpa por qualquer coisa. Lide bem com isso e será sempre um vencedor!



  2. gabriel

    kkkkkkkkkkkkkkkkk



  3. Pingback: Rodas travadas para a educação « Feed by Frames

  4. Hadouken

    É fácil saber se você utiliza Go Horse.
    Pergunte a sua equipe: Que metodologia usamos para desenvolver esse projeto?
    Se não existe resposta, então vocês usaram Go Horse e Chega de demagogia.



  5. ricardo wolosker

    faltou um item. o XGH esta sempre usando uma paradinha nova e falando dessa ladainha de padrao de mercado. trabalho porco e sujo? so ha um jeito de esconder essa bagaca. framework e metodologia.



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