Era uma vez uma garçonete em Veneza…

Sempre que viajo com meu companheiro de aventuras, voltamos com algumas piadas, metáforas e histórias na bagagem. Em 2010 tivemos a oportunidade de conhecer algumas cidades da Itália, entre elas Roma, Florença e Veneza.

Tivemos algumas experiências épicas com os italianos (apenas contarei uma delas). Como éramos “estreantes” em passeios europeus, ouvimos as recomendações de amigos experientes:

- os franceses são malcriados, cuidado!
- os franceses são grosseiros e atendem mal.

Nada disso. As experiências na França foram ótimas. Já a Itália deu um show de impaciência, intolerância e falta de postura perante a inocentes turistas estreantes no velho mundo.

Roma não apresentou grandes incidentes pois estávamos com um amigo italiano e sua família. Com a companhia deles, atendentes e garçons eram simpáticos e não nos enxergávamos como turistas.

Florença é tão incrível que um italiano poderia fazer o que fosse que meu encantamento pela cidade (depois de ver isso e isso) não seria abalado.

Mas Veneza, marcou. E não foram as gôndolas, a cidade desgastada, a Piazza San Marco, o carinha tocando violino na esquina, os muranos a preço de banana que tornaram a cidade uma metonímia. Veneza entre eu e o meu namorado virou simbolismo de “pessoa que reclama”, “pessoa que bufa”, “pessoa que sofre”, “gente que atende mal”.

A cidade é muito mais decadente que romântica. E ao contrário do que parece, isso não é uma reclamação ou uma observação do prisma ruim de Veneza. Ela é incrível por sua sedimentação mesmo.

Ficamos apenas 3 manhãs na cidade italiana, num Bed & Breakfast simples e honestinho. O café da manhã ia até as 9:30h, e digamos que quem está de férias não quer acordar às 8h da manhã para comer. Descíamos sempre às 9:10h – no mesmo minuto em que começava a sinfonia da garçonete indiana.

- Ãããhhhhhhh (onomatopéia de uma pessoa bufando-lamentando).

Passavam-se 2 minutos…

- Shuuuuuuu (onomatopéia de uma bufada engolida).

E o ciclo era repetido.

Enquanto fazia seu trabalho, a senhora garçonete proselitizava através de bufadas capazes de deixar até a pessoa mais cara de pau constrangida.

Saímos de Veneza mas Veneza não saiu da gente. E isso não é pedantismo de classe média viajante. É uma experiência para que a gente lembre que bufar com os nossos problemas não fará turistas levantarem da mesa mais rápido, muito menos tirar qualquer desafio da nossa frente.

- Pare com isso, Veneza! – meu namorado me diz quando deseja reprimir a minha cara de chateada ou quando esboço algum som reclamão.

Pegando o gancho da Veneza (isso é uma metonímia ok?) que inspirou essa história real, eu mandaria esse vídeo (a partir do minuto 6) pra ela. Eu entendo que a Europa tá ferrada, que é difícil ser imigrante na Itália, que ser mal remunerado não deve ser coisa boa e que não deve ser um trabalho estimulante. Só que na função dela, tornar a manhã de turistas mais agradável poderia ser sim, uma bela meta.

A reclamação da garçonete pode contaminar o mundo. Principalmente se você trabalha com turistas de todos os continentes.

3 Comentários

  1. Pedro

    Antes de eu ir pra Europa eu meio que tinha essa ideia de que os italianos eram todos gente boa e os franceses todos chatões… mas aí conheci tanto italianos quanto franceses (apesar de não ter ido pra nenhum dos dois países) e achei os italianos quase todos um saco e os franceses quase todos muito legais. E agora eu tenho a maior vontade de visitar os meus amigos franceses qualquer hora… e não fiz nenhum amigo italiano pra visitar!



    • Pois é… a percepção do mundo sobre os franceses é equivocada. Os caras são os melhores amigos da mulherada: produzem os melhores cremes e maquiagens do mundo. uhauhauhauh



  2. Regina Celi

    Nossa!! o meu sonho é conhecer algumas partes da Itália, dentre elas a romântica Veneza…fiquei decepcionada com a sua experiência, já que turistas aqui no Brasil são muito bem recebidos por nós, achamos que na Europa não poderia ser diferente.É bom se precaver para não sofrer com o tratamento, sabendo que não é porque é Europa que pessoas são bem pagas e satisfeitas, mesmo assim gostaria de ter contato com os italianos, para ter a experiência, e tirar também minhas conclusões. Grata pela sinceridade.



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