Bom dia, Brasil

Foi uma noite agitada. 17 de junho de 2013 provavelmente vai entrar para a história como o dia em que os brasileiros saíram da letargia. Após anos e anos respondendo passivamente às lambanças dos nossos governantes, a população mandou o seu recado: “Cansamos”. Saímos do Facebook e fomos para as ruas.

O gigante acordou?

O que começou como um protesto contra o aumento da tarifa de ônibus se transformou numa cruzada contra aquela que é a grande responsável por boa parte das mazelas do nosso país: a corrupção. O Brasil inteiro se manifestou contra o colossal volume de dinheiro público gasto nas obras da Copa, contra a péssima qualidade dos serviços públicos e contra a pífia atuação econômica do governo.

Se lá fora o Brasil ainda é conhecido como o país do futebol, chega a ser emblemático que esse despertar ocorra paralelamente a um evento como a Copa das Confederações: as vaias dirigidas a Dilma no último sábado ecoaram em todo o planeta.

Há até quem diga que estamos vivendo um paradoxo. Na verdade, acredito que estamos vivendo um momento histórico.

Manifestantes invadem o teto do Congresso Nacional: para mim, a imagem do ano. Será que vira capa da Veja?

Durante protesto na Avenida Paulista, pessoas entoam o Hino Nacional: impossível não se arrepiar.

Na travessia da balsa Santos-Guarujá, manifestantes das duas cidades se unem num coro: “O Brasil acordou”!

Várias imagens aéreas dos protestos em São Paulo: um mar de gente.

 

Jogaram Mentos na Geração Coca-Cola

Causa certa surpresa, também, que esse despertar ocorra justamente aos cuidados de uma geração muitas vezes tachada como superficial, hedonista, fútil e alienada. Bastou começarem as críticas aos jovens-protestantes-da-classe-média-que-não-pegam-ônibus-e-ficam-pagando-uma-de-revolucionários para que esses mesmos jovens começassem a agir em conjunto. Resultado: das redes sociais para as ruas, convenceram parentes e amigos a lutar por uma causa comum.

Para essa geração, a revolução não é mais televisionada: é combinada, vivida e compartilhada no Facebook. Vira trending topic mundial no Twitter e torna nossas timelines mais interessantes do que nunca. Eles cutucaram – e a sociedade brasileira curtiu isto.

Também chama a atenção o caráter suprapartidário da imensa maioria dos manifestantes. De maneira geral, a rejeição às tentativas de ligar os protestos a partidos políticos foi veemente. Além de afastar o perigo de se transformar em massa de manobra, o fato atesta um outro dado muito mais importante – e, de certa forma, perturbador: essas pessoas não confiam em seus governantes. Nunca antes na história deste país a expressão “não me representa” esteve tão em alta, não é mesmo?

 

O povo não é bobo?

O ressurgimento do espírito democrático em nossa sociedade é muito bonito. Mas e agora, o que acontece? Afinal de contas, não dá para protestar todo dia. Com um tantinho de esforço, podemos canalizar esse espírito para fazer a verdadeira mudança acontecer: que tal começar a promover pequenos autoprotestos no seu dia a dia?

A corrupção que infecta nossa nação nada mais é do que um reflexo do nosso comportamento. A velha Lei de Gérson que caracteriza o jeitinho brasileiro começa em cada um de nós. Se, ao menor indício dela, promovermos autoprotestos em nossas ações, é bem possível que essa praga possa ser extirpada nas gerações vindouras.

Mais do que o ano da Copa, 2014 será também ano de eleições. Assim como você, eu também acho que está cada vez mais difícil optar por um candidato que realmente nos represente. É por isso que devemos exigir, com muita ênfase, uma imediata reforma no nosso sistema político.

Porém, de nada adianta exigir austeridade de quem está no poder se tendemos a levar vantagem na primeira oportunidade que nos aparece. Por favor, vamos acabar com essa história pejorativa de que “o mundo é dos espertos”. Pare, reflita e conclua que o bem comum é a chave para a verdadeira mudança.

A revolução começou, mas só vai seguir adiante se nós continuarmos fazendo nossos autoprotestos. Que tal começarmos agora?

Tenham todos um bom dia! ;)

Sim, essa gente me representa.


1 Comentários

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