BIG Festival 2012 – Um grande evento sobre indie games

Recebi do Gabriel a dica para ir ao BIG – Brazilian International Game Festival. Como estamos prestes a lançar o nosso primeiro game, achei que seria bastante oportuno comparecer. O evento rolou de 22 de novembro a 2 de dezembro de 2012, e consegui comparecer a boa parte das atividades.

Logo do Big FestivalA primeira coisa que é legal de contar: foi um evento gratuito onde aprendi muito. Melhor do que muito evento que vou como pagante pelo volume de informação e networking que me foi proporcionado.

O segundo ponto é que foi a primeira edição do BIG, ou seja, o evento foi MUITO BEM organizado, sem grandes falhas, com participantes e convidados de alto nível, além do local que é fantástico – o MIS, Museu de Imagem e Som de São Paulo. Ou seja: já marque na agenda, pois será um evento imperdível em 2013. Mesmo!

Participei de algumas atividades, entre elas as palestras (colocarei abaixo as que assisti), o happy hour (onde deu para conversar bastante com o pessoal) e a rodada de negócios (bastante challenging, mas muito legal), além da própria exposição. Nem preciso reforçar que foi uma loucura e correria conciliar tudo isso com muito trabalho e outros eventos. Mas acabei a maratona com uma sensação plena de ter aprendido muito.

De coisas simples, como jargões e o backstage do meio, a quem são os formadores de opinião, o fluxo de um projeto na indústria, transformação de público, nichos, enfim…

Além das palestras, arenas de desenvolvimento, exibição do filme Indie Game e das palestras, a espinha dorsal do BIG se compôs nas duas atividades abaixo.

 

Exposição e Game Play

Rolou entre os dias 22/11 a 02/12, no espaço expositivo (1º andar) e no espaço redondo. Uma exposição e festival competitivo dos melhores games independentes internacionais e nacionais. O público visitante pôde jogar e votar nos games.

Fórum de Negócios

Aconteceu nos dias 28 e 29, no auditório do MIS (173 lugares), auditório LABMIS (66 lugares) e na sala de interfaces. Era destinado a profissionais interessados na formação de novos laços profissionais e comerciais. Esse evento ofereceu estudos de caso, palestras, encontros com publishers, plataformas, investidores, uma Demo Night, cerimônia de premiação, workshops de game doc e apresentação dos finalistas internacionais do BIG Festival.

Networking do BIG Festival

A imagem acima é uma parte dos cartões de visita de pessoas com quem falei. Eram tantos que até dava pra rolar um card game! :D

 

As palestras do BIG 2012

Assisti às palestras na ordem abaixo. Algumas foram ultra relevantes para mim, outras nem tanto, mas sempre é bom ter um reforço ou uma opinião diferente em cima de algo que já conhecemos.

27 de novembro de 2012 – Palestras BIG

A primeira que assisti foi a do Delmar Galisi (professor na faculdade Anhembi), que descreveu o perfil do profissional que trabalha com jogos, oportunidades de áreas (de game designer a tester). Também citou nomes de game designers conhecidos, a história breve de alguns deles e as vantagens e desvantagens de trabalho em grandes x pequenas empresas. Ele encerrou sua palestra reforçando que estar em uma pequena empresa é uma excelente oportunidade de fazer parte de todo um processo, mas admitiu que alguns empreendedores brasileiros querem profissionais que não existem (que programem, escrevam, façam arte e som). Foi uma palestra básica para quem está na área, mas excelente para quem deseja começar na área de desenvolvimento de jogos.

Na sequência, assisti o pessoal da ComKids, que falou bastante da produção de conteúdo interativo e audiovisual para crianças. Como tratar e retratar a criança, acompanhar seu desenvolvimento, diferenciar crianças alfabetizadas e não alfabetizadas, o cuidado com o excesso de protecionismo, as temáticas etc. E reforçaram a dificuldade de encontrar produtores focados em produtos específicos para crianças. Achei bem interessante.

O pessoal do Farofa Studios (representado por Saulo Ribas) apresentou alguns cases, entre eles o Mundo do Sítio, e apresentou alguns dados interessantes – entre eles, que “o adulto hoje está se permitindo ser mais criança” e que “os brasileiros queimam etapas na adoção de novas tecnologias”, se referindo ao usuário que não vai chegar a ter um PC em casa e vai comprar direto um smartphone. E por fim, falou sobre como o iPhone trouxe os games de volta para o desejo da massa.

Palestra Farofa Studios

Uma pesquisa muito interessante que foi exposta na sequência veio do pessoal do Click Jogos, que é a maior plataforma de conteúdo jovem do país. São 170 mil usuários simultâneos e 21 milhões de usuários únicos a cada mês, sendo 78% deles com menos de 17 anos. Falaram bastante das diferenças marcantes de características de cada idade e dos gêneros: “meninos querem competir e meninas querem se divertir”.

Nas outras duas palestras não fiz anotações muito relevantes, mas isso não significa que que elas não tenham sido boas.

28 de novembro de 2012 – Palestras BIG focadas em negócios

O primeiro painel do dia 28 trouxe representantes da Abragames, do Sebrae, Ancine, APEX, BNDES e outras organizações que buscam ajudar com conhecimento, suporte ou empréstimos a indústria de games e startups.

Em seguida, o Chris Avellone contou sua história e de sua carreira. Falou bastante de seus projetos no Kickstarter, como Wasteland 2 e Project Eternity – que tiveram absoluto sucesso –, mas reforçou que no sistema de crowdfunding via Kickstarter a média é que um projeto tenha sucesso a cada dois que falham. E a principal dica para os pequenos desenvolvedores que queiram colocar seus projetos por lá é “vender uma história, e não um projeto”.

Depois da fala sobre o Kickstarter, vários convidados foram chamados para falar sobre modelos de negócios. Falaram Tim Besser (European Group), Igor Burattini (Rovio), Jim Ying (6Waves), Amanda Cinfio (Gree), José (Kingston), Bertrand (Ubisoft) e Levi Buchanan (Chillingo).

Quero destacar a fala do Igor da Rovio, sobre o jogo mais baixado da história da App Store: o Angry Birds. A Rovio é uma empresa que surgiu na Finlândia e trabalhava fazendo games para clientes (como produtora). Uma empresa que esteve à beira da falência de uma forma bastante severa.

Em 2007, no lançamento do iPhone, eles viram que era a hora de arriscar. O Angry Birds foi lançado em 2009 e foi um sucesso imenso inicialmente na Finlândia. Se espalhou pela Europa, foi “featured game of the week” na App Store e explodiu no mundo. Já são mais de 1 bilhão de downloads, acumulando atualmente 300 milhões de minutos jogados todos os dias e uma marca muito poderosa. Na Finlândia, por exemplo, o refrigerante dos pássaros hoje vende mais que a Coca-Cola e a Pepsi!

Igor fechou sua fala dizendo que a Rovio é uma empresa como todas as outras: acumula muitos fracassos e poucos sucessos. Foram 51 jogos desenvolvidos antes do seu mega hit.

Sobre os outros palestrantes, vou resumir com a frase mais interessante de cada palestra:

“Mulheres são a maioria jogando games mobile”
– Amanda Cinfio, Gree/Openfeint

“People are growing with gamer parents”
– Steven, game designer da Ubisoft que esteve no Brasil divulgando o game Assassin’s Creed III

“Todo mundo tem cinco minutos para jogar stupid games
– Bertrand Chaverot, diretor da Ubisoft Brasil, referindo-se aos jogos mobile

“O mercado brasileiro é muito maior do que imaginamos”
– Bertrand Chaverot, diretor da Ubisoft Brasil

“Durante mais de dois anos o jogador aceitou perder tempo com jogos vazios e mecânicas de adição”
– Bertrand Chaverot, diretor da Ubisoft Brasil, referindo-se aos jogos estilo “Fazendinha Feliz”

28 de novembro de 2012 – Demo Night

Apesar de exausta, acabei ficando para a Demo Night, onde os desenvolvedores apresentavam seus jogos para jurados como Jason Della Rocca, Chris Avellone e mais um brasileiro que trabalha na EA.

Todos criticavam e faziam ponderações sobre os projetos apresentados, que foram Toren, Selene, Três, Knight Trial, XH20, Schorody, Lore, Choose to Chase, Cube Island e Vida.

Os meus favoritos foram o XH20 (puta visual lindo), Schorody (gatinho preto como temática mais pixel art, me convenceu! :) ) e Cube Island (dois garotos muito novinhos e com brilho no olhar apresentando, muito fofos e o joguinho parece ser divertido).

O André Forastieri comandou o evento e fiquei surpresa, pois apesar de saber que ele era jornalista na área de games, eu o conhecia pelo seu blog (que, aliás, recomendo).

Happy hour e reuniões com publishers

No dia 29 eu não consegui comparecer ao evento por conta de outro compromisso, mas acabei indo ao happy hour à noite, onde conheci bastante gente e os publishers também apareceram por lá. Acabei ficando pouco mais de duas horas, mas deu para conhecer projetos e pessoas bem legais. Foi meu primeiro evento nesse segmento e notei que o pessoal é bastante colaborativo.

No dia 30 eu tinha algumas reuniões pré-agendadas com publishers interessados em conhecer os trabalhos de desenvolvedores brasileiros. Foi bem interessante fazer as reuniões em inglês e apresentar nossos projetos. A experiência e as possibilidades de futuro valeram muito a pena.

Minhas conclusões:

  • Aprendi muito, valendo todo o esforço
  • O pessoal é muito receptivo e bacana
  • Os gringos estão olhando para o Brasil com carinho
  • O Brasil tem muito a aprender com os gringos
  • O Brasil precisa olhar pra si, empreender suas ideias e pautar seus valores também em games
  • Não dá para perder tempo
  • Muitas pessoas deixam de ir em evento gratuito sem saber o que estão perdendo
  • Tivemos um bom feedback do nosso game, complementando os esforços de beta-testing que fizemos
  • Valeu muito a pena participar, e espero voltar em 2013 com um game de sucesso lançado! ;)

Quem quiser saber mais sobre o evento e também sobre as outras atividades, é só acessar o site do festival.

4 Comentários

  1. “Amazing! Exciting!” =D



  2. Bacana. Só discordo um pouco da afirmação do diretor da Ubisoft sobre chamar alguns jogos como “stupid games” com relação aos jogos mobile, pois nem todo game mobile é do tipo Farmville.



  3. Francisco, ele não disse que os jogos mobile são tipo Farmville. Quando ele se referiu a “stupid games” ele falava dos jogos mobile. Aí, em outro momento que a questão da mecânica de adição foi abordada. Tanto que a Ubisoft está investindo em alguns títulos mobile.



  4. Pingback: Como foi a GDC 2013 - minhas impressões do evento

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