A tecnologia e a memória

As palavras “tecnologia” e “memória”, sempre apareceram de mãos dadas. Minha memória me faz lembrar daqueles nostálgicos tempos onde era o máximo ter “memória” de 256. Lembro também do dia em que fiquei impressionada ao descobrir que num disquete de 3.5 polegadas caberia mais coisas do que num disquete de 5.25. Coisas da vida. Pouco tempo depois, carregamos nossos pendrives e / ou celulares com dados que humilhariam qualquer disquete do passado (se eles estivessem vivos, ainda). Devo confessar que tenho saudade do exercício cerebral que coexistia na época dos disquetinhos requenguelos: eu sabia de cor e salteado o telefone e os aniversários de dezenas de amigos e conhecidos. Sabia endereços também. Hoje a única coisa que consigo decorar (bem) são os e-mails de pessoas com as quais me comunico frequentemente. Os aniversários e telefones ficaram a cargo do Facebook e do iPhone. Infelizmente terceirizei involuntariamente parte das informações que me conectam às pessoas.

Pensei nisso há mais ou menos um mês: no dia em que não entrava no Facebook ou não observava o lado esquerdo da interface, perdia os aniversários, afinal não dá pra colocar o aniversário de todo mundo no Google Agenda. Aliás, o Google me viciou tanto naquela interface da agenda que eu fico neurótica se não marco algo por lá: se o compromisso não está na agenda do Google, simplesmente ele não existe para o meu cérebro.

Existem outros dilemas: não preciso lembrar de acessar o blog dos meus amigos e conhecidos, pois o Google me avisa. Não preciso decorar determinadas coisas, pois tenho o 3G no meu bolso. Não preciso decorar o caminho pois consigo acessar o Google Maps de qualquer lugar. Tudo isso é muito bom e prático, mas preciso de contrapontos para não deixar meu cérebro preguiçoso.

Conversei recentemente com uma senhora de 96 anos que fazia TODAS as contas de cabeça, ainda aos 96 anos. Falava de porcentagem comigo na mesma velocidade de um estudante de pré-vestibular. Invejei brancamente.

Entre perdas e ganhos, acho que não estou sozinha nesse dilema. Dá uma olhadinha nesse infográfico que relaciona o Google e a nossa memória e tire suas conclusões.

2 Comentários

  1. Mto bom esse info-gráfico. Já conversei um bocado sobre essa transformação /influência no aprendizado com alguns na MKT. O que mais me preocupa são os dois últimos lados negativos do gráfico: Falta de aprofundamento e basear o “conhecimento” em informações erradas ou pouco compreendidas.
    Eu curto bastante pesquisar em diferentes fontes (online e em livros, revistas etc, “beber de diversas fontes”) quando vou escrever sobre algo e é fácil notar disparidades entre essas fontes em especial na internet. Está muito fácil cuspir qualquer conteúdo, útil ou não, e logo ele se espalhar. O acesso à informação é uma maravilha, o poder de gerar informação facilmente também é fantástico mas a qualidade é um problema bastante preocupante.



  2. Furreca

    Conteúdo de qualidade ruim não se encontra só na internet. Livros, tv, jornais, revistas podem distribuir muita porcaria também. O que faz a informação ser boa ou não são pessoas, e não os meios. Na internet você pode ver todo tipo de impostura, mas também pode ver o que se produz no MIT, fotos da nasa, essas coisas.

    Mas, como o Fábio cravou: nunca foi tão fácil espalhar bobagem. E isso é fato!



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